28 fevereiro, 2011

o mundo é vário, filho, vário, vai muito para lá de Boliqueime



(You make me feel like) A natural woman, Aretha Franklin

Alfarrabista

Hoje comprei um livro de Raul de Carvalho
por um euro, o que considero um escândalo!
Os poetas, regra geral, sempre foram pobres,
mas a sua poesia vale muito mais do que
o peso de mil resmas de rouxinol em oiro.
Isto, evidentemente, pouca gente sabe.
Se muita gente soubesse
os poetas seriam todos ricos.


António Barahona
in Telhados de Vidro, nº12, Averno
-
é uma casa de passagem onde
se vê o mar quando
a puta veste o fato de marinheiro e
põe a cassete da tempestade

***

apetece-me palavras
para entreter a boca enquanto
não as espanta o grito que
já espreita debaixo da língua

***

nada de mais irresistível do que
um homem corando
apetece logo beber-lhe a cor
comer-lhe a face
esfacelar-lhe o rosto

concentrar-lhe o sangue onde
deus em pessoa abocanha


Bénédicte Houart
in Reconhecimento, Cotovia

Segunda-feira é sempre uma animação

Alguns gostam de poesia

Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.


Wislawa Szymborska
in Alguns gostam de poesia, Cavalo de Ferro

sobre o horário


de hoje a 14 de Março
a livraria estará aberta entre as
13h e as 20h.

24 fevereiro, 2011

o mundo é vário, filho, vário, vai muito para lá de Boliqueime



El Manisero, Bola de Nieve

jura quem viu

a Tinta da China tem
bombas novas e de alcance inimaginável

a stôra gosta disto?

The poetry of birds,
AAVV, Penguin

está na segunda sala

Todos contentes e eu também,
Manuel de Freitas, Campo das letras

um poema

PASSAGEM DE CRUZEIRO SEIXAS EM ÁFRICA


Este é o segredo

para todos os usos


Rapto desobediência exaltação e morte


Mário Cesariny de Vasconcelos
in Planisfério e outros poemas, Guimarães Editores

acaba de entrar

A cidade longínqua - Antologia,
Màrius Torres, Ovni

do camandro, senhores, do camandro

The Waste Land...,
T.S. Eliot, Faber & Faber

uma iniciação ao Partido Alto



ministrada por Candeia,
xamã da especialidade

23 fevereiro, 2011

disputados pela Faber e pela Gallimard

Leo e Pep

o mundo é vário, filho, vário, vai muito para lá de Boliqueime



Les trois petits nains, Arthur H

chegou há dias

Poesias, desenhos e correspondência,
Eduardo Libório, Imprensa Nacional

põe os ouvidos na Boca

Memórias de um craque,
Fernando Assis Pacheco lido por Nuno Moura, Boca

Um estranho em Goa (3 cds),
José Eduardo Agualusa lido por Fernando Alves, Boca

A alegria de gostar,
Jairo Aníbal Niño, Boca

O mistério do coiso e outras histórias,
Thomas Bakk, Boca

anda dedicado ao encantamento de higienistas de Génova

Rusga,
Vasco Gato, Trama

uma casa de entra e sai

das landas de Henrique VIII

à Passos Manuel é um tirinho


(parecendo que não,
ampliando vê-se melhor)

sem pompa mas com estilo, entram ou reentram

Emanuel Félix, Paul Éluard, Gonçalo M. Tavares, Camões, João Miguel Fernandes Jorge, José Gil, Camilo Pessanha, Henri Michaux, Reinaldo Ferreira, Tininho Kavafis e muitos outros.

apareceu esgotado

Jornal do Gato,
Mário Cesariny, Edição do autor

a propósito de senhores

Collected poems,
Allen Ginsberg, Penguin

um poema

AOS POUCOS A VIDA

Arrumar aos poucos
a vida nas gavetas:
blusas de cetim
vestidos de musselina
sobre postais bilhetes fotografias

- e um ligeiro aroma a sândalo.

Confiar os pequenos adereços
aos seus lugares de esquecimento
e guardar com eles a complexa
indefinição da memória,

como se todos os refúgios
fossem um tempo subtraído à vida.

Sara M. Felício
in Agio, nº 1, Artefacto

uma novidade não pode durar duas semanas

Bailias,
Catarina Nunes de Almeida, Deriva

22 fevereiro, 2011

agora a sério

o mundo é vário, filho, vário, vai muito para lá de Boliqueime



Belleville Rendez-Vous, M

trios improváveis

Delírio húngaro,
Nuno Brito, Edita-me

Canis dei,
Armando Silva Carvalho, Relógio d´Água

Where the sea stands still,
Yang Lian, Bloodaxe

há seis anos um génio respondeu assim

- Bom, eu sou meio um Miguilim porque eu sempre fui mulher, a intimidade que tenho com elas ..., sempre fui mulher. Agora mesmo, eu estou lançando disco sobre a mulher. Eu sempre fui mulher, porque sempre eu fui o mais fraco lá em casa. Minhas irmãs, meus irmãos, meu pai, minha mãe, todos diante de mim eram homens. Na escola primária também, eu sempre fui mulher, apanhava, era segregado, tinha dificuldade, acanhamento, vergonha. É claro, eu estou falando que sempre fui mulher de uma maneira metafórica. E sempre fui como Ésquilo, que sempre tomou o lugar dos persas, pra ver como é a vida do inimigo. Então, acabei tendo a mulher sempre como amiga, como companheira, ajudante. Na vida teve vários casos assim. Hoje, meu casamento, que já dura 35 anos, é um casamento assim, de parceria, né... É claro que tem muita coisa de masculina, porque o machão nordestino é muito famoso por causa de suas exigências e tal. Mas o que eu tenho de comum com Miguelim é o negócio de ser mulher e fazer o papel de homem!! (gargalhada sonora)

Tom Zé

chegou de manhã e, por enquanto, só há aqui

Agio, nº 1
Artefacto

docinhos da Passos Manuel

Sonetos de Luís de Camões,
Escolhidos por Eugénio de Andrade, Assírio & Alvim

uma enorme pouca vergonha

Antologia de poesia portuguesa erótica e satírica,
AAVV, Antígona e Frenesi

quatro brasileiros e um senhor da Damaia

À margem da margem,
Augusto de Campos, Companhia das Letras

As solas do sol,
Carpinejar, Bertrand Brasil

Rima do velho marinheiro,
Coleridge, Relógio d´Água

Eu e outras poesias,
Augusto dos Anjos, Martins Fontes

O palco e o mundo,
Pádua Fernandes, & etc

um luxo

a propósito de senhores

O sentido da vida é só cantar,
António Barahona, Assírio & Alvim

21 fevereiro, 2011

cada um na sua sala


O amante japonês,
Armando Silva Carvalho, Assírio & Alvim

Auto do frade,
João Cabral de Melo Neto, Editorial Nova Fronteira

Antologia de poesia galega,
AAVV, Unicamp

o mundo é vário, filho, vário, vai muito para lá de Boliqueime



Mapa-Mundí, Thiago Pethit

o último a chegar do subterrâneo

Linhas de Hartmann,
Paulo Tavares, & etc

alta cena, alta malha

Notas sobre a melodia das coisas,
Rainer Maria Rilke, Averno

o terceiro livro da casa está a chegar ao sofá


O Taberneiro,
Miguel Martins, Poesia Incompleta

A nova poesia portuguesa,
Manuel de Freitas, Poesia Incompleta

um par com a mão de Sena

Antologia poética,
Jorge de Sena, Guimarães

80 poemas de...,
Emily Dickinson, Guimarães

uma novidade não pode durar duas semanas

K3,
Nuno Dempster, & etc

pronto, mistura o que quiseres

Paidéia - A formação do homem grego,
Werner Jaeger, Martins Fontes

Ao vento em terramotos,
João Borges, Cofre nocturno

Poemas escolhidos,
Jorge Luis Borges, Dom Quixote

À flor da pele,
António Carlos Cortez, Casa do Sul

Obra poética,
Tomaz Kim, Imprensa Nacional

O vento soprado como sangue,
João Moita, Cosmorama

Cem poemas,
Emily Dickinson, Relógio d´Água

Mulher ao mar,
Margarida Vale de Gato, Mariposa Azual

O viajante sem sono,
José Tolentino Mendonça, Assírio & Alvim